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Amec participa de painel sobre desafios ESG no 21º Congresso IBGC

A Amec, representada por seu Presidente, participou na última sexta-feira, 13 de novembro, de painel sobre investimentos ESG durante o 21º Congresso IBGC. O evento teve início no dia 3 de novembro e se estende até o dia 27 de novembro

O painel fez parte do Ciclo 2 de palestras, com o tema “ESG: Desafios e Oportunidades”, visando abordar o tópico sob a ótica dos investidores institucionais, que estão cada vez mais atentos aos temas ambientais, sociais e de governança, sendo influenciados por esses aspectos na hora de investir.

Fábio Coelho trouxe elementos que ajudam a explicar os motivos pelos quais o tema ganhou forte relevância nos últimos meses. “O primeiro aspecto para os investidores foi o posicionamento sobre o assunto por parte das grandes casas globais, que fizeram manifestações públicas sobre a necessidade das empresas e partes interessadas se manifestaram sobre o tema, incluindo penalidades contra companhias que não tivessem um posicionamento mais claro sobre aspectos ambientais sociais e de governança”, disse.

Ele citou ainda os efeitos da pandemia sobre o tema, em especial com a urgência em se tratar de aspectos sociais, e mais recentemente com discussões relacionadas também à governança corporativa. “O tema não é novo, mas a cobrança dos investidores interfere em repercussão e nos preços”, disse.

Coelho ressaltou que os investidores, em geral, avaliam aspectos ESG sob a ótica dos riscos e das oportunidades. “Temos feito esse debate de maneira extensiva. Os investidores estão querendo avaliar e mitigar riscos, mas também aproveitando oportunidades. Há diversas metodologias de aplicação de ESG, com uma gama de possibilidades que os investidores estão olhando, mas sem perder de vista o cumprimento do seu dever fiduciário de entregar rentabilidade”, complementou.

Participando do painel, Márcio Correia, gestor de fundos de ações e sócio da JGP, destacou que a governança corporativa no Brasil é encarada como uma série de práticas e de elementos que devem assegurar que o interesse do proprietário, dono ou sócio da empresa está sendo executado pelos agentes, sendo eles os executivos e até os conselheiros. “A filosofia ESG fortalece uma visão mais abrangente do negócio, que extrapola a função de maximizar o lucro, ganhando função de valorização do bem-estar da sociedade com a preocupação de atingir todos os stakeholders da empresa”, destacou.

Do ponto de vista de governança, Márcio destacou que é importante saber como a sociedade vê a função social de uma companhia. “Essa visão ESG funciona se a governança corporativa funcionar. Aí temos o estatuto, passando pelo conselho, assembleia, instrumentos de fiscalização”, disse. “Não existe discussão de questões socioambientais sem governança corporativa”, complementou.

Rogério de Araújo Santana, diretor de Relacionamento com Empresas e Assets da B3, reforçou que o papel da governança vem antes dos demais aspectos. Isso porque a governança é que deve determinar as diretrizes que a empresa deve seguir bem como a posição pública do dia a dia da companhia. “Temos empresas que, por princípio ou por setor de atuação, tratam dessa agenda de maneira estruturada e madura há bastante tempo. Temos outras que estão no processo de construção dessa forma de atuação e introdução dessa agenda”, disse.

Existe ainda uma dificuldade dos investidores terem acesso a uma informação de qualidade e estruturada, que permita comparabilidade entre os diferentes players da cadeia, conforme explicou Rogério. “As companhias podem praticar, mas como essas informações chegam ao investidor? Pode chegar em reuniões one-on-one, mas isso tem um limite, que basicamente é o número de reuniões que a empresa fará por ano. Para que haja uma escalabilidade melhor, essa agenda tem de estar de maneira mais estruturada e clara nos materiais públicos da companhia”, disse em referência aos disclosure das companhias.

Aprendizado

Marta Pinheiro, Diretora da Área de ESG da XP Inc., destacou que é preciso levar uma visão de protagonismo para dentro das empresas, pois elas são responsáveis pelo tratamento do tema além da visão do lucro em si. “A gente vive um momento, na sociedade, em que esse tema impacta. É importante que a gente veja como participar ativamente de questões sociais e ambientais e perceber como os acionistas entendem a perpetuidade das empresas no futuro”.

Ela destacou que, durante a pandemia, foi necessário se ajustar a uma condição adversa, com uma resposta rápida, e quem conseguiu se adequar mais rapidamente teve maior êxito no tratamento desde questões de governança, até mesmo nos outros aspectos socioambientais. Marta disse ainda que o grau de maturidade no Brasil, em geral ainda é baixo nesse tema. “O mercado tem bastante oportunidade de desenvolver isso. É importante ter todas essas discussões para amadurecer”.

Métricas

Fábio Coelho disse ainda que o próximo degrau do ESG é discutir a regulação para saber para qual caminho esse tema vai se direcionar no Brasil, pois algumas empresas já utilizam algumas métricas para medir os impactos do tratamento dessas questões em suas companhias.

Márcio destacou que esse processo ainda está evoluindo na JGP. “Estamos aprendendo muito. O tema é, para nós, uma evolução do nosso processo de investimentos, e o primeiro ponto é olhar esses investimentos de maneira mais sistêmica e holística. Isso é melhor do ponto de vista de retorno”.

O gestor da JGP ressaltou ainda que a contabilidade tradicional é ineficiente no que diz respeito às métricas de resultados intangíveis nas empresas, como treinamento de pessoas, engajamento etc. “Tentar capturar esse valor intangível para os investimentos é algo complementar”, disse, destacando que a política ESG visa buscar retorno, criando frameworks com perguntas sistêmicas que buscam entender o propósito e função de uma empresa na sociedade.

Marta destacou que a questão das métricas é uma jornada, não passando apenas pela execução do investimento, mas trazendo para o valuation uma análise a perspectiva ESG com olhar sistêmico, dinâmico, e com perguntas específicas. “Temos inserido essa ótica em toda decisão de governança interna e de negócios a ser feita, até a parte de produtos e serviços, de maneira geral, fomentando o pipeline. Temos uma célula dedicada a montar portfólios, fazendo consultorias para quem quer ter um portfólio alinhado”, disse. Ela também reforçou a importância do pilar de educação, trazendo informação e conteúdo, que é uma vertente super importante, com uma área de research com analistas dedicados à vertente ESG.

A XP tem feito também uma série de conversas com gestores que ainda possuem muitas dúvidas sobre essas métricas. “Estamos nos apoiando em diversas frentes com metodologia específicas, ressaltando que o desafio está em traduzir esse conteúdo para facilitar a escolha do investidor sobre esses investimentos”, ressaltou Marta.

Do lado da B3, Rogério apresentou uma série de iniciativas para endereçar o tema de sustentabilidade. “O papel da Bolsa é ser um player que ajuda na organização do mercado, e seu bom funcionamento, principalmente no encontro de empresas, de um lado, que precisam de recursos, e de outro, de investidores que estão buscando oportunidades”, comentou. Um grande ponto é oferecer um lugar onde esse encontro possa acontecer de maneira mais eficiente”, complementou.

Ele disse ainda que a B3 tem investido bastante em educação, produção e disponibilização de conteúdo de parceiros especialistas nessa agenda.

Próximos passos

Marta destacou que regulação e padrões de mercado podem facilitar o avanço desse mercado convergindo esse avanço para construir um caminho interessante para o futuro. “Do ponto de vista do investidor, cabe mais informação. Boa parte dos investidores não sabe a que de fato estão financiando. Cabe trazer essa reflexão, e a gente se põe no papel de conseguir fazer essa tradução cada vez melhor, tentando mostrar ao investidor o que tem por trás de determinado investimento. Informação e conhecimento são um caminho bem importante”, ressaltou.

A visão de futuro do tema ESG no Brasil passa ainda pelo uso de dados, destacou Márcio. “Tudo vai para essa discussão sobre a maneira em que se usa dados. Pra mim, o futuro é isso”. Rogério complementou dizendo que dados, sem dúvida, terão um papel relevante na evolução do tema ESG, e para isso é preciso ter informações disponíveis. “Regulação e framework são sempre algo que pode acelerar o processo, ou pelo menos padronizar”.

Rogério disse ainda que a principal alavanca para essa agenda está no investidor. “Ele precisa trazer essa agenda com mais frequência para as empresas e se engajar”. Fábio Coelho destacou que a Amec tem como uma das prioridades o ESG e que continua auxiliando as partes interessadas, os investidores e pessoas físicas e as empresas a navegarem nessas questões.

Fonte: Amec, em 15.11.2020